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Blog de alvesrui
 


2.ª Prova da Existência de Deus

Nesse estágio, Descartes só tem certeza de seu ser, isto é, de seu ser pensante, ( “ pois sempre duvido desse objeto que é meu corpo” )

“Dentre as idéias do meu cogito existe uma inteiramente extraordinária. È a idéia de perfeição, de infinito. Não posso tê-la tirado de mim mesmo, visto que sou finito e imperfeito. Eu, tão imperfeito, que tenho a idéia de Perfeição, só posso tê-la recebido de um ser perfeito que me ultrapassa e que é o autor do meu ser.”

Por conseguinte, eis demonstrada a existência de Deus. E note-se que se trata de um Deus perfeito, que, por conseguinte, é todo bondade. Eis o fantasma do gênio maligno exorcizado. Se Deus é perfeito, ele não pode ter querido enganar-me e todas as minhas idéias claras e distintas são garantidas pela veracidade divina. Uma vez que Deus existe, eu então posso crer na existência do mundo.



Escrito por alvesrui às 21h00
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1.ª Prova Da Existência De Deus

“ Todavia, quando penso nisso com mais atenção, verifico claramente que a existência não pode ser separada da essência de Deus, assim como da essência de um triângulo não pode ser separada a grandeza de seus três ângulos iguais a dois retos ou, da idéia de montanha, a idéia de vale, de maneira que não há menos repugnância em conceber um Deus (Isto é, um ser soberanamente perfeito) ao qual falta a existência ( Isto é, ao qual falta alguma perfeição) do que em conceber uma montanha que não tenha um vale (ou um triângulo cujos lados não somem a dois ângulos retos).

... do simples fato de eu não poder conceber Deus sem existência, segue-se que a existência lhe é inseparável, e que portanto, ele existe verdadeiramente.



Escrito por alvesrui às 21h00
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Eu Sou Uma Coisa Que Pensa  ( 2.ª meditação )

“Por conseguinte, não há a menor dúvida de que sou, se ele me engana; e por mais que ele queira enganar-me, nunca poderá fazer com que eu nada seja, enquanto eu pensar ser alguma coisa.”

“Mas eu, que sou eu, agora que suponho que há alguém que é extremamente poderoso e, se ouso dize-lo, malicioso e astucioso, que emprega todas as suas forças e toda a sua indústria em enganar-me?  Poderei ter certeza de possuir a menor de todas as coisas que acima atribuí à natureza corpórea ?

“ ... constato aqui que o pensamento é um atributo que me pertence; somente ele não pode ser separado de mim. (...) Agora eu nada admito que não seja necessariamente verdadeiro: portanto, eu não sou, precisamente falando, senão uma coisa que pensa, isto é, um espírito, um entendimento ou uma razão ( ... ) Ora, eu sou uma coisa verdadeira e verdadeiramente existente; mas que coisa? Já o disse: uma coisa que pensa.”

 



Escrito por alvesrui às 21h00
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O Gênio Maligno ( 1.ª meditação )

“Suporei, então, que há, não um verdadeiro Deus, que é a soberana fonte da verdade, mas certo gênio maligno, não menos ardiloso e enganador do que poderoso, que empregou toda sua indústria em enganar-me. Pensarei que o céu, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons, e todas as coisas exteriores que vemos não passam de ilusões e enganos de que ele se serve para surpreender minha credulidade. Considerar-me-ei a mim mesmo como não tendo mãos, nem olhos, nem carne, nem sangue, como não tendo nenhum dos sentidos, mas acreditando falsamente possuir todas essas coisas.”



Escrito por alvesrui às 20h56
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O Pedaço de Cera

Tomemos, por exemplo, este pedaço de cera que acaba de ser tirado da colméia: ele ainda não perdeu a doçura do mel que continha, ainda retém algo do odor das flores de que foi recolhido; a sua cor, sua figura e sua grandeza são evidentes: ele é duro e frio quando o tocamos e, se nele batermos, produzirá algum som. Enfim, todas as coisas que podem distintamente fazer conhecer um corpo, encontram-se nele.

 

Mas eis que, enquanto falo, alguém o aproxima do fogo; o que nele restava de sabor, exala-se, o dor se desvanece, sua cor se modifica, sua figura se perde, sua grandeza aumenta, ele se torna líquido, esquenta-se, mal podemos tocá-lo, e, ainda que batamos nele, não produzirá som algum. A mesma cera permanece após essa transformação? Cumpre confessar que sim; e ninguém o pode negar. Que é, então, que conhecíamos nesse pedaço de cera com tanta distinção? Certamente não pode ser nada do que observei nela por intermédio dos sentidos, uma vez que todas as coisas que se apresentavam ao paladar, olfato, etc se encontram modificadas e, no entanto, a mesma cera permanece.



Escrito por alvesrui às 20h55
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Para Descartes( 1596-1650) existem três tipos de idéias:

Idéias Adventícias: ( vindas de fora ) sensações, percepções, lembranças, pela experiência sensorial – idéia de arvore, pássaro, etc. cotidianas e rotineiras ( não correspondem á realidade das próprias coisas).

Idéias Fictícias: criadas pela nossa fantasia e imaginação. Ex: cavalo alado, sereias, duendes, dragões, Super Homem, contos infantis, mitos e superstições. Nunca são verdadeiras.

Idéias Inatas: aquelas que não poderiam vir da nossa experiência sensorial ´porque não há objetos sensíveis para elas ( E nem podeiram vir da fantasia pois não tivemos experiência sensorial para como-las á partir da memória.

São inteiramente racionais e só podem existir porque nascemos com elas. Ex: a idéia de infinito, idéias matemáticas. Para Descartes são a “assinatura do Criador”

“ A razão é a luz natural inata que nos permite conhecer a verdade” Como são colocadas em nosso espírito por Deus, serão sempre verdadeiras. As idéias inatas são as mais simples ( não compostas ) são conhecidas por intuição e são o ponto de partida da dedução e indução.”

Convite à Filosofia - Marilena Chauí



Escrito por alvesrui às 20h53
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